Aulas online deixam bullying escolar em segundo plano

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Com o avanço da pandemia, a rápida transição para a escola online veio com muitas desvantagens.

Desde o aumento da desigualdade até a chamada “queda pela Covid-19”.

Na qual que as crianças perdem parte do aprendizado deste ano, ficando menos preparadas para avançar.

No entanto, depois que milhões de crianças em idade escolar foram, repentinamente, transferidas para a escola cibernética, algumas estão encontrando uma vantagem surpreendente.

As dinâmicas sociais complicadas podem simplificar, às vezes desaparecer, à medida que aprendem de forma online.

Um declínio no drama digital

A escola online pode ter menos do que os psicólogos chamam de “drama digital”.

Quando comportamentos excludentes e cruéis, se transferem para o mundo cibernético.

Isso pode incluir coisas como postar fotos de festas no Instagram.

E fazer com que aqueles que não foram convidados se sintam deixados de fora. 

Não é o cyberbullying, no qual uma criança é alvo de ataques por um período prolongado.

Mas sim o comportamento que faz com que ela se sinta excluída, ferida, triste e confusa.

Tal comportamento pode estar em queda.

Simplesmente, porque as crianças não estão nos mesmos espaços para criar, pessoalmente, o drama que levam para o mundo virtual.

“O drama digital é frequentemente uma extensão do que acontece na escola”.

É o que Diana Graber, autora de “Raising Humans in a Digital World” (“Criando seres humanos em um mundo digital”, em tradução livre) e fundadora da Cyber Civics.

Uma entidade que ensina alfabetização digital a crianças em 44 estados dos EUA e mais sete países. 

“Como eles não estão vivendo isso no cotidiano da escola, isso não está penetrando na vida online”.

Empatia entre os colegas

“Durante a pandemia, ouvi inúmeros exemplos de bons comportamentos, de crianças demonstrando crescente empatia pelos outros”.

Relatou Stacey Kite, professora da Faculdade de Artes e Ciências da Johnson & Wales University e especialista em bullying.

“Além disso, as crianças que não querem ir à escola porque sofrem bullying estão agora indo muito bem com o aprendizado online”

“E encontrando maneiras de se conectar com seus colegas por esse modo, que pode se transformar em amizades reais”, completou a professora.

Uma razão para isso é que a ausência física gera mais afeição. 

“As crianças sentem saudades dos seus colegas e falta de pessoas com quem nem estavam tão perto antes”, explicou a autora.

Podando os contatos

Graber observou e ouviu falar de crianças sendo menos excludentes do que eram antes da Covid-19.

Agora que precisam interagir com colegas online ou em pequenos grupos com a supervisão dos professores. 

“Além disso, aquelas normalmente tímidas em contato pessoal, muitas vezes acham mais fácil se comunicar com colegas virtualmente”, comentou.

A crueldade ainda encontra seu caminho

Isso não quer dizer que o cyberbullying tenha sido apagado ou que algumas crianças não continuam sendo cruéis.

Uma em cada três crianças em 30 países foi vítima de bullying online.

De acordo com uma pesquisa divulgada em setembro de 2019 pela UNICEF e pela Representante Especial da ONU sobre Violência contra Crianças. 

Um em cada cinco deixou a escola por causa disso. 

Além disso, 15,5% dos estudantes do ensino médio foram vítimas de cyberbullying.

Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA em 2017.

O problema não desapareceu completamente

Uma mãe de uma escola pública de Boston disse que uma aluna da escola primária descobriu como invadir o email de outra criança e enviou mensagens de intimidação aos colegas. 

“Ela estava apenas procurando atenção”, aliviou a mãe.

E os administradores da escola, pais e professores se reuniram para conversar com a aluna e sua família.

Mas Graber disse que, embora alguns previssem que a transição para a escola online fosse multiplicar esses incidentes.

“Procuramos evidências de que o cyberbullying aumentou durante a Covid-19, e realmente não encontramos nenhum dado sólido para apoiar esse fato – felizmente”.

Não é o novo normal

Em algum momento, obviamente, a maioria das crianças retornará à escola física. 

E mesmo essas instituições educacionais de ensino à distância geralmente têm algum componente pessoal.

Muitos seguem um modelo de “aprendizado misto”.

No qual as crianças aprendem em seu próprio ritmo, em casa, e veem pessoalmente seus colegas de classe para estudar em pequenos grupos ou eventos sociais. 

Eles precisam de amigos e precisam vê-los na vida real.

“Nós retiramos algo que é muito necessário no estágio de desenvolvimento”, disse Graber.

Mas se as crianças estão se comportando melhor online, os adultos não estão seguindo o mesmo caminho. 

“O discurso de ódio vem aumentando entre os adultos”, revelou Graber. 

“É triste, porque as crianças nos veem como modelo. Espero que elas olhem para isso e sigam na direção oposta”.

Lisa Selin Davisé a autora de “Tomboy:The Surprising History and Future of Girls Who Dare to Be Different” [“Tomboy: A história surpreendente e o futuro das meninas que ousam ser diferentes”, em tradução livre]. Ela escreve para o New York Times, CNN, The Wall Street Journal, The Guardian e muitos outros veículos.