Casos de sarampo triplicam em 2019, saiba mais sobre a doença

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Aumentou os casos registrados de sarampo em São Paulo. 

Esse avanço da doença no Estado, no país e no mundo tem levado a uma série de dúvidas sobre o sarampo em si e a vacina, principal forma de prevenção.

Em São Paulo, balanço divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde mostra que houve aumento de 36,4% nos casos registrados. 

O número cresceu para 1.319 na última semana. A maioria dos casos suspeitos e confirmados, 90,9%, são residentes da grande São Paulo.

Boletim do Ministério da Saúde

O último boletim do Ministério da Saúde, de agosto, informa que foram confirmados 1.388 casos de sarampo.

Nos Estados do Rio, São Paulo, Bahia e Paraná. Além disso, outros 66 casos foram confirmados em outros Estados.

O surto é mundial. Segundo a OMS, o número de casos de sarampo no mundo triplicou nos primeiros sete meses de 2019, considerando o mesmo período do ano em 2018.

Para saber mais sobre a doença, a BBC News Brasil conversou com Regiane de Paula, diretora do Cento de Vigilância Epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

E falou também com Eliane Matos dos Santos, médica da Assessoria Clínica de Bio-Manguinhos, unidade produtora de imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz.

Por que o sarampo voltou?

A epidemia de sarampo é um fenômeno global. Dados da OMS e da Organização Pan-Americana da Saúde mostram que, em 2017, a doença foi responsável por 110 mil mortes.

Este ano, ainda segundo as entidades, casos notificados no mundo triplicaram nos sete primeiros meses em comparação com o mesmo período de 2018.

O Brasil, diz o Ministério da Saúde, vinha de um histórico de não registrar casos adquiridos dentro do país desde o ano 2000.

Entre 2013 e 2015, ocorreram dois surtos, um no Ceará e outro em Pernambuco, a partir de casos importados.

Em 2018, no entanto, a doença reapareceu na região Norte, nos Estados do Amazonas, Roraima e Pará, trazida pelos venezuelanos que fugiam da crise. 

Já os vírus que atingiram São Paulo, este ano, vieram com pessoas que foram infectadas na Noruega, em Malta e em Israel.

O problema é que a cobertura vacinal da patologia no país está abaixo do patamar ideal, que é acima de 95%. 

Pelas informações do Ministério da Saúde, em 2018, este índice, relacionado à vacina tríplice viral em crianças de um ano de idade, foi de 90,80%. Em 2015, chegou a 96,7%.

E as razões para isso são várias, segundo os especialistas ouvidos pela reportagem.

Entre eles, medo de ter reação à imunização; desconhecimento de que existe um calendário de vacinação específico para adultos e idosos.

Além da falsa sensação de segurança, já que muitas doenças estão controladas; notícias falsas e grupos antivacina.

O que é o sarampo?

O sarampo é uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, altamente contagiosa e que pode ser contraída por pessoas de qualquer idade. 

Sua transmissão se dá de forma direta, de pessoa a pessoa, por meio das secreções expelidas pelo doente ao tossir, espirrar, respirar e falar.

Quais são os sintomas?

Os primeiros sintomas são febre alta, acima de 38,5°, com duração de quatro a sete dias.

Além de manchas avermelhadas na pele, que começam no rosto e atrás das orelhas, e depois, se espalham pelo corpo.

Geralmente, aparecem entre 10 e 12 dias após o contato com o vírus e podem vir acompanhados de tosse persistente, irritação ocular, coriza e congestão nasal.

Quais as possíveis complicações?

As mais comuns são infecções respiratórias (broncopneumonia e pneumonia, por exemplo), otites, diarreia grave e doenças neurológicas, como encefalite.

Elas são mais frequentes em crianças de até dois anos de idade, sobretudo nas desnutridas, adultos jovens e indivíduos com imunodepressão ou em condições de vulnerabilidade.

E podem deixar sequelas, tais como diminuição da capacidade mental, cegueira, surdez e retardo do crescimento. O agravamento da doença ainda pode levar à morte.

Como é o tratamento?

Não existe tratamento específico para o sarampo. 

Para os casos sem complicação, é importante manter uma boa hidratação, suporte nutricional e diminuir a hipertermia. 

Quando o quadro se agrava e surgem, por exemplo, diarreia, pneumonia e otite média, essas situações devem ser tratadas, normalmente, com o uso de antibioticoterapia.

No caso de crianças acometidas pela enfermidade, a OMS recomenda a administração de vitamina A, a fim de reduzir a ocorrência de casos graves e fatais.

Como prevenir a doença?

A vacina é a medida de prevenção mais eficaz contra o sarampo.

Quem deve se vacinar contra o sarampo?

Todo mundo que nunca tomou a vacina e todos aqueles que não têm certeza se já tomaram. 

Pelo Calendário Nacional de Vacinação, a tríplice viral, que ainda protege contra caxumba e rubéola, deve ser administrada aos 12 meses de vida.

Já a tetra viral, acrescenta varicela (catapora) à lista de doenças combatidas – aos 15 meses. 

Pessoas de 10 a 29 anos que não tomaram a vacina quando crianças precisam receber duas doses da tríplice viral. Na faixa etária de 30 a 49 anos, a dose é única.

Por que os jovens de 15 a 29 anos são o foco das campanhas atuais?

Pessoas de todas as faixas etárias precisam ter as duas doses da vacina, porém, os jovens desta faixa etária nasceram em uma época em que a segunda dose não fazia parte do Calendário Nacional de Vacinação.

Assim, muitos não a tomaram e, por isso, não estão totalmente protegidos.

Quando há surto, é preciso se vacinar novamente?

Não. Quem tiver se vacinado contra o sarampo conforme preconizado para sua faixa etária, não precisa receber a vacina novamente.

Para quem a vacina contra o sarampo não é indicada?

Pessoas com alergia grave ao ovo, pacientes em tratamento com quimioterapia, gestantes, portadores de imunodeficiências congênitas ou adquiridas.

E também quem faz uso de corticoide em doses altas, transplantados de medula óssea e bebês com menos de seis meses de idade.

Quem já teve a doença precisa se vacinar?

Não. Quem já foi infectado com o vírus desenvolveu anticorpos contra ele. 

Dessa forma, não precisa se vacinar e nem pegará a doença de novo.

Do que a vacina é feita?

A vacina é feita de vírus vivo atenuado, ou enfraquecido e atua de forma a estimular o sistema imunológico a desenvolver anticorpos para combater os “invasores”. 

Ela é administrada por injeção subcutânea.

Quanto tempo ela demora para fazer efeito?

Em torno de duas semanas. Quem vai viajar para locais com incidência da doença e não foi vacinado antes, deve procurar um posto de saúde, pelo menos, 15 dias antes da viagem.

A vacina tem efeitos colaterais?

Algumas pessoas podem ter reações, mas, no geral, elas são leves, benignas, de curta duração e autolimitadas. 

As mais comuns são dor e vermelhidão no local da aplicação e febre.

Onde tomar a vacina?

A vacina contra o sarampo está disponível gratuitamente o ano todo nas unidades básicas de saúde.

Em São Paulo, por causa do surto atual, a aplicação também tem sido realizada em postos volantes instalados em locais como nas estações do Metrô.

Há ainda a opção de tomar a vacina em clínicas particulares, só que, nestes locais, ela é paga.

Fonte: BBC NEWS