Coronavírus no Brasil: curva de contágio repete a de países europeus, alertam especialistas da Itália

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A velocidade de propagação do novo coronavírus no Brasil repete o padrão dos países que mais sofrem com o avanço da covid-19.

Isso é o que mostra gráficos produzidos pela BBC News Brasil com os dados da OMS. 

O crescimento de casos confirmados segue um ritmo parecido com o de países como Alemanha, França e Reino Unido.

A pedido da reportagem, um analista de dados e um médico que acompanham o avanço do coranavírus na Itália analisaram o gráfico.

“Na Itália, estamos assistindo a um filme idêntico ao que vimos na China”

” E a batalha será a mesma em todos os outros países do mundo, mas com dias ou semanas de atraso”, afirma Nino Cartabellotta, médico e presidente da Fundação Gimbe.

A Fundação é uma organização não governamental que promove a difusão de informações científicas confiáveis para a realização de políticas públicas.

“O Brasil tem a chance de jogar sabendo o resultado da outra partida, porque já viu o filme italiano”

“Comparar a curva de diferentes países não é um problema, muito pelo contrário”, diz Cartabellotta.

Para Lorenzo Pregliasco, sócio-fundador da empresa de pesquisas Quorum, o Brasil “está alinhado com a maior parte dos países observados”.

Apesar de seguir “um pouco atrás” na curva de crescimento.

“Particularmente, me parece que o ritmo de contágio possa seguir a trajetória da França.”

Os casos ‘ocultos’ de covid-19

Nesta quinta-feira, o governo italiano anunciou que o país chegou a 41.035 casos confirmados desde o início do surto. 

Para Cartabellotta, porém, o número não é realista e representa “só a ponta do iceberg”.

“Assumindo que a gravidade da doença na Itália é semelhante à chinesa”

“Pode-se prever que a parte submersa do iceberg tenha mais de 70 mil casos leves ou sem sintomas identificados”.

Itália

Na Itália, os exames são feitos, na maior parte das vezes, em pacientes com sintomas. 

Foram feitos 182.777 testes até agora, em média, um a cada 330 moradores do país.

O problema da subnotificação se repete em todos os países que não tenham adotado uma estratégia agressiva de testar ampla parte de população. 

Casos ocultos no Brasil

Em entrevista ao Estado de S. Paulo, o presidente do Hospital Albert Einstein, Sidney Klajner, estimou que o Brasil tenha 15 casos “ocultos” para cada diagnosticado.

A subnotificação ajudaria a explicar por que a doença demorou tanto a ser identificada na Itália. 

Pesquisadores acreditam que o vírus já estava na Itália desde a metade de janeiro.

Mas o primeiro caso só foi comprovado pelo sistema italiano de saúde em 21 de fevereiro.

O caso foi em Codogno, cidade industrial de 16 mil habitantes a menos de uma hora de Milão.

“A epidemia chinesa ainda estava no começo e nenhuma restrição ou vigilância havia sido iniciada na Itália”, lembra Cartabellotta.

Distanciamento social vai continuar

O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, revelou na quinta-feira, que o bloqueio total do país e o fechamento das escolas e faculdades serão estendidos para além de 3 de abril.

A data prevista no decreto que impôs uma quarentena nacional a 60 milhões de habitantes.

Apesar da série de decretos assinados por Conte nas últimas semanas, nem toda a Itália se submeteu à quarentena imposta pelas autoridades. 

O governo da Lombardia, região mais afetada pelo novo coronavírus, usou dados fornecidos por empresas de telefonia celular.

Iss para concluir que cerca de 40% dos moradores continuam se distanciando mais de 500 metros de casa.

“Na falta de uma vacina ou de remédios específicos para o vírus, as medidas de distanciamento social são a única arma à nossa disposição para neutralizar a epidemia”, alerta Cartabellotta.

A eficácia, porém, está condicionada a uma alta adesão por parte da população às recomendações das autoridades — seja na Itália, seja no Brasil.

Fonte: BBC News